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Reflexos da falta de saneamento básico no Brasil

Enviado em 31 Julho 2018, 17:09 PM

 

Escrito por Édison Carlos, presidente do Trata Brasil.

 

O acesso aos serviços de saneamento básico no Brasil ainda é vergonhoso. São milhares de pessoas vivendo sem água tratada, coleta e tratamento de esgotos, seja nas áreas nobres, seja nas ocupações irregulares. Este cenário nos leva a uma triste realidade: esgotos lançados diariamente na natureza, saúde da população em risco e turismo brasileiro afetado.

Dados do Sistema Nacional de Informação de Saneamento (SNIS, ano base 2016) comprovam essa teoria: são mais de 35 milhões de pessoas sem acesso a abastecimento de água tratada e mais de 100 milhões de brasileiros sem coleta de esgoto. Além disso, 44% de todo o esgoto gerado não é tratado. Isso significa que 56% de todo o esgoto gerado vai parar em nossos rios, praias e lagos, contaminando cada vez mais o nosso solo, aumentando os índices de doenças e diminuindo a qualidade de vida para a população.

Observando a realidade no âmbito regional, o Norte tem números ainda mais preocupantes e com os piores indicadores do país. Apenas 55% da população é abastecida com água tratada, números distantes em relação as outras regiões brasileiras (Nordeste 73%, Sudeste 91%, Sul 89% e Centro Oeste 89%) e cerca de 10% da região tem coleta de esgoto.

Outro fator preocupante e que contribui para a lentidão dos avanços em saneamento no país são as perdas de água, que representam 38% na média nacional. Significa que, após ser retirada da natureza e passar por todos os processos de tratamento, a água já potável se perde por meio de vazamentos, ligações clandestinas, furtos e até mesmo por erros de medições.

Para ter uma ideia da gravidade, o estudo Perdas de Água - Desafios para Disponibilidade Hídrica e Avanço da Eficiência do Saneamento Básico, realizado pelo Instituto Trata Brasil, apontou que essa perda equivale a quase 7 mil piscinas olímpicas de água por dia e prejuízos ao país de mais de R$ 10 bilhões por ano.

Houve avanços, mesmo que tímidos, nos indicadores de saneamento a partir da Lei 11.445/2007 (Lei de Diretrizes do Saneamento Básico), a partir da qual o setor passou a ter investimentos mais regulares. O problema é que para todos os brasileiros terem acesso ao saneamento básico, o país precisa de um investimento de mais de R$ 350 bilhões. Em 2016 houve um investimento de R$ 11,51 bilhões para obras de melhorias de água e esgoto (SNIS, 2016), ou seja, bem abaixo dos quase R$ 18 bilhões necessários ao ano, pensando num prazo de duas décadas para a universalização.

Já temos mais escolas com Internet do que com coleta de esgotos e recentemente o país foi surpreendido com o aumento da mortalidade infantil – esses dois exemplos ilustrando a relevância de debatermos o tema.

Nesse ano eleitoral, nosso papel é analisar cuidadosamente os candidatos, especialmente à Presidência da República e Governadores, para escolhermos autoridades preocupadas com soluções para esta que é a mais elementar e importante das infraestruturas.

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